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quinta-feira, 27 de abril de 2023

LUCIANO ERBA


CAPODANNO A MILANO


Si credeva a Milano che a vedere
per prima un uomo sulla soglia di casa
andando a messa il primo di gennaio
fosse segno di prospero futuro.
Erano figure nere di pastrani
incerte nella nebbia del mattino
sciarpe bianche, cappeli, flosci e duri
rintocchi di bastone, passi lontani.
Or dove siete, uomini augurali?
L’onda lunga del vostro pressagio
si frange ancora alla riva degli anni?
Dentro una nebbia tra noi sempre fitta
mi sembra tavolta intravedere
un volo di profetici mantelli.


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FIM DE ANO EM MILÃO


Acreditava-se em Milão que se o primeiro
a ver-se fosse um homem na soleira da casa
indo à missa no primeiro de janeiro
seria sinal de um futuro próspero.
Eram figuras negras de capote
incertas na névoa da manhã
cachecóis brancos, chapéus, moles e duros
pancadas de bengala, passos longínquos.
Onde estais agora homens augurais?
A onda longa do vosso presságio
quebra-se ainda na praia dos anos ?
Numa névoa entre nós sempre mais densa
parece-me entrever de vez em quando
um voo de capas proféticas. 

domingo, 19 de fevereiro de 2023

 LUCIANO ERBA


UOMO PENSOSO CON GATTO 


a Mairi MacInnes


L’instante della nulla, l’assalto
dell’es, dell’angst, und so weiter
valgono forse la pena
a patto che passi vicino
com aria de niente il mio gatto
sfiorando la gamba, magari
urtandola com colpi di muso,
poi salti in grembo e allontani
il suolo di sotto le zampe.


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HOMEM PENSATIVO COM GATO

Para Mari MacInnes

O instante do nada, o assalto
de es, de angst, und so weiter
valem por certo a pena
desde que passe por perto
com ar de nada o meu gato
roçando a perna, talvez
empurrando-a com pancadas de focinho,
depois salta para o colo e afasta
o chão debaixo das patas. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

 LUCIANO ERBA


SLOT-MACHINE 

Un lungo sferragliare d’ingranagi 
mi pare tavolta di sentire 
dentro l’apparecchio automatico 
che dovrebbe decidere il destino. 

Ruote dentate sono già inserite 
girano ora rapide ora più rapide 
in un senso oppure nell’inverso 
poi si staccano, in folle sul loro asse. 

Di nuovo si combiano, vanno, vengono 
ancora si allontano, si fermano 
no! tornato in contatto 

riprendono, girano, rallentano 
ora è silenzio nel cassono 
grigio il biglietto non esce.


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SLOT-MACHINE 

Um longo ferrolhar de engrenagens 
parece-me por vezes ouvir 
dentro do aparelho automático 
que deveria decidir o destino. 

Rodas dentadas estão já inseridas 
giram ora depressa ora mais depressa 
num sentido ou então no inverso 
depois arrancam em ponto-morto no seu eixo. 

De novo combinam, vão, vêm, 
ainda se afastam, detêm-se 
não! voltam ao contacto 

retomam, giram, afrouxam 
agora há silêncio no caixote cinzento 
o bilhete não sai.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

LUCIANO ERBA


IL TRANVIERE METAFISICO


Ritorne a volte il sogno in cui me avienne
di manovrare un tram senza rotaie
tra campi di patate e fichi verdi
nel coltivato le ruote non sprofondano
schivo spaventapassari e cappani
vado incontro a settembre, verso ottobre
i passeggeri sono i miei defunti.
Al risveglio rispunta il dubbio antico
se questa vida non sia evento del caso
e il nostro solo un povero monologo
di domande e risposte fatte in casa.
Credo, non credo, cuando credo vorrei
portarmi all'al di là un po' di qua
anche la cicatrice che mi segna 
una gamba e mi fa compagnia.
Già, ma allora? sembra dire in excelsis
un'altra voce.
Altra?


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O GUARDA-FREIO METAFÍSCO

Regressa âs vezes o sonho em que me acontece
manobrar um eléctrico sem carris
por campos de batats e figos verdes
no lavrado as rodas não se afundam
evito espantalhos e cabanas
vou de encontro a setembro, em direcção a outubro
os passageiros são os meus defuntos.
Ao acordar renasce a dúvida antiga
se esta vida não será produto do acaso
e o nosso apenas um pobre monólogo
de perguntas e respostas feitas em casa.
Creio, não creio, quando creio quereria
levar para o além um poucode cá
mesmo a cicatriz que me marca
uma perna e me faz companhia.
Sim, mas então? parece dizer in excelsis
uma outra voz.
Outra?

domingo, 25 de setembro de 2022

LUCIANO ERBA


GLI INCARICATI


Il mio compagno di Piazza Aquileia
avvocato, com un soprabito grigio
distinto, dal passo affrettato
non há età, há una borsa, un capello
lo rivedo ogni tanto da quanto
ho ripreso l’uso del tram
lo vedo di spalle, è di quelli
che vedo sempre di spalle
fa pensare a una vecchia fotografia
di uno che non sai più chi sia.
Quando scende dal 30/29
alto, col suo soprabito a vita
quel mio compagno (cominciava por enne)
mi transmette l’incarico, só io quale
mentre il tram riprende la corsa
sotto i platani di un altro viale. 


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OS ENCARREGADOS


O meu companheiro da Piazza Aquileia
advogado, com um sobretudo cinzento
distinto, de passo apressado
não tem idade, tem uma pasta, um chapéu
revejo-o de vez em quando desde
que voltei a apanhar o eléctrico
vejo-o de costas, é daqueles
que vejo sempre de costas
faz pensar numa velha fotografia
de alguém que já não se sabe quem seja.
Quando se apeia do 29/30
alto, com o seu sobretudo cintado
esse meu companheiro (começava por ene)
transmite-me o encargo, eu sei qual
enquanto o eléctrico retoma o curso
sob os plátanos de outra avenida. 

terça-feira, 26 de julho de 2022

 LUCIANO ERBA

L’IPPOPOTAMO
forse la galleria che si apre
l’ippopotamo nel folto della giungla
per arrivare al fiume, ai curvi pascoli
di foglie nate a fuorma di cuore
forse il varco tra alberi i liane
gli ostacoli divelti, le improvvise
irruzioni d’azzurre nelle tenebre
su un umido scempio di orchidee
forse questo e qualsiasi tracciato
come a Parigi la Neuilly-Vincennes
o l’umile “infiorata” di Genzano
o un canale di Marte, altro non sono
che eventi privi d’ombra e di riflesso
soltanto un segno che segna se stesso.


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O HIPOPÓTAMO

porventura a galeria que abre
o hipopótamo na selva densa
para chegar ao rio, aos prados inclinados
de folhas que brotam em forma de coração
talvez a passagem entre árvores e lianas
os obstáculos arrancados, as imprevistas
erupções de azul nas trevas
sobre uma destruição húmida de orquídeas
talvez isso e qualquer outro traçado
como em Paris o Neuilly-Vincennes
ou a humilde “floração” de Genzano
ou um canal em Marte, não sejam mais
que ocorrências privadas de sombra e de reflexo
apenas um sinal que a si mesmo se assinala.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

 LUCIANO ERBA

SE È TUTTO QUI…

Turbano la mia limpida fede
cattolica apostolica e che più
non tanto il corso dei tempi
il tradimento dei nuovi chiericchi, i magnifici scandali
mi restano in mano altri pezzi del puzzle
ad esempio il povero vitello grasso
che sarà l’unico ad andare di mezzo
quando il figliolo prodigo si deciderà a rittornare.
Chiaro che non ho capito niente
che dovrò ancora pebsarci un po’ su.
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SE ISTO É TUDO…

Turvam a minha límpida fé
católica apostólica e que mais
não tanto o curso dos tempos
a traição dos novos clérigos, os magníficos escândalos
ainda tenho em mão outras peças do puzzle
por exemplo o pobre vitelo gordo
que será o único a desandar
quando o filho pródigo se decidir a voltar.
Claro que não percebi nada
que tenho ainda que pensar um pouco nisso. 

terça-feira, 19 de abril de 2022

 LUCIANO ERBA


SETTE E MEZZO

Probabile che tra le sette e le otto
di sera di luglio o d’agosto
ragazzi tra i sette e otto anni
possano capire qualcosa
di questo mondo o dell’altro
giocando in giardini dove crescano
alberi a foglie grigie e bacche rosse…
Se mi à capitato? Tanto
non avrei saputo che potevo capire
ed hora? ho capito che non posso sapere.


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SETE E MEIO

É possível que entre as sete e as oito
de uma noite de julho ou de agosto
miúdos entre os sete e os oito anos
possam entender qualquer coisa
deste mundo ou do outro
jogando no jardim onde crescem
árvores de folhas cinzentas e bagas vermelhas…
Aconteceu-me? Tanto
não terei sabido que podia perceber
e agora? percebi que não posso saber.

segunda-feira, 14 de março de 2022

 LUCIANO ERBA


TRANSFERIMENTO


Tetti si appogiano a tetti
ti abitui alla nouva città
discendono calde trapunte
dai balcone nel sole invernale
esci com scarpe marrone
lucide come dastagne d’india
ma a sera quando viene la nebbia
e la gente si ritrova nei bar
fra alzati di bottiglie e di pandori
tu punti all’azzurra insegna nebbiosa
di un’espozizione di mobilia
dove guardi i letti damascati
le pettineuses i buffe i contrabuffe
poi rentri e stai a lungo allo spechio.

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MUDANÇA


Tectos apoiam-se em tectos
habituas-te à nova cidade
penduram tépidas colchas
das varandas ao sol invernal
sais com sapatos castanhos
brilhantes como castanhas da índia
mas à noite quando chega a neblina
e a gente se reúne nos bares
entre prateleiras de garrafas e bolos
diriges-te ao nebuloso reclame azul
de uma montra de mobílias
onde miras as camas de damasco
as pettineuses os buffè os contrabuffè
depois regressas e ficas muito tempo ao espelho.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

LUCIANO ERBA


EPIFANIA


C’e in questo cielo di gennaio
della dodicesima notte
un’infinita pazienza
non nasconde domande
non ocorre alzare glo occhi allo zenith
e non fa differenza seguire
la linea dei camini sui tetti
o lungo il granito dei muri
vedere, non vedere
tanto passare di umane ombre nere. 


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EPIFANIA


Há neste céu de janeiro
na dudodécima noite
uma infinita paciência
não nascem perguntas
não ocorre alçar os olhos para o zénite
e não faz diferença seguir
a linha das chaminés nos telhados
ou ao longo do granito das paredes
ver, não ver
tanta passagem de humanas sombras negras.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 LUCIANO ERBA


LO SVAGATO 

Ma quando arrivano? e come? 
e chi li manda trai noi? 
un giorno li trovi vicini 
com un berretto a visiera 
la sciarpa rossa, le mani 
nelle tasche davanti dei calzoni 
nuovo compagni di nostri giochi 
sileziosi, sorridente compagni 
più piccoli di noi, più pallidi 
stanchi a una breve corsa, maldestri 
a lottare, a saltare, e senza peso. 
Ricordo uno che un matino d’ottobre 
sali com noi fine al monte Cavvalo 
aveva le guance rosse di mal di cuore 
sorrideva correndo per restarci vicino. 
E un altro, nè escludo che fosse lo stesso 
per quel loro modo di camminare e il maglione turchino, 
che per vigneti mi segui al fondovalle 
a pesca di trotte dove il fiume 
si dirama in chiari canali. 
Si restò fine a sera dentro l’acqua 
senza que mi chiedesse una volta 
di provare a pescare : 
poi scomparve per un sentiero che non saprei più trovare. 
E un terzo, o ancora lo stesso, 
per quel loro grande nodo alla sciarpa di lana, 
e per il suo starmi in silenzio vicino 
nei prati gialli fuori città 
in un’Africa imaginata 
per un’immobile, lunga giornata. E un quarto… 
Scomparsi. Distruti da febbri spietate, 
consuti da un male ignoto, lontani, non só. 
Né só se torneranno, né quando, né come 
gli amici, i giorni, la più chiara stagione, 
se tornerà la vita 
perduta per disattenzione.


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 O DISTRAÍDO 

Mas quando chegam? e como? 
e quem os envia?  
um dia descobre-los próximo 
com um boné de pala 
o cachecol vermelho, as mãos 
no bolso da frente das calças 
novos companheiros dos nossos jogos 
companheiros silenciosos, sorridentes, 
mais pequenos que nós, mais pálidos, 
cansados por uma breve corrida, desajeitados 
a lutar, a saltar, e sem peso. 
Recordo um que numa manhã de outubro 
foi connosco até ao monte Cavallo 
tinha a cara vermelha de quem sofre do coração 
sorria correndo para nos acompanhar. 
E um outro, não excluo que fosse o mesmo 
por aquele seu jeito de andar e a camisola turquesa, 
que pelos vinhedos me seguiu até ao vale 
à pesca de trutas onde o rio 
se derrama em claros canais. 
Ficou até à noite dentro de água 
sem que me pedisse uma vez 
 para tentar pescar : depois sumiu-se 
por um caminho que já não saberei encontrar. 
E um terceiro, ou ainda o mesmo, 
por aquele grande nó no cachecol de lã 
e pelo seu quedar-se em silêncio por perto 
nos campos amarelos fora da cidade 
numa África imaginada 
durante um dia imóvel, comprido. E um quarto… 
Desaparecidos. Destruídos por febres impiedosas, 
consumidos por um mal ignoto, lá longe, não sei. 
Nem sei se voltarão, nem quando, nem como 
os amigos, os dias, a estação mais clara, 
se voltará a vida 
perdida por desatenção.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

 LUCIANO ERBA


VANITAS VARIETATUM 

Io ravolta mi chiedo 
se la terra e la terra
e se queste tra i viali del parco 
sono próprio le madri. 
Perchè passano una mano guantata 
sul dorso di cani fedeli? 
perchè bambini scozzesi 
spiano dietro gli alberi 
qualcuno, scolaro o soldato 
che ora apre un cartoccio 
di torrone o di zucchero filato? 
Ottobre è rosso e scende dai monti 
di villa in villa 
e di castagno in castagno 
si stringe ai mantelli 
accarezza il tricolore sul bungalow 
nel giorno che i bersaglieri 
entrano ancora a Trieste. 
Tutto è dunque morbido sotto gli alberi 
presso le madri e il loro mantelli aranciati 
la terra, la terra e ogni pena d’amore 
esiste altra pena? 
sono di là dei cancelli: così le Furie 
e le opere non finite. 

Ma questo non sono le madri 
io lo só, sono i cervi in attesa.


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VANITAS VARIETATUM 

Por vezes pergunto-me 
se a terra é a terra 
e se estas nas veredas do parque 
são mesmo as mães. 
Por que passam a mão enluvada 
pelo dorso de cães fiéis? 
por que crianças escocesas 
espiam detrás das árvores 
alguém, escolar ou soldado 
que abre agora um cartucho 
de torrão ou de algodão doce? 
Outubro é vermelho e desce dos montes 
vivenda em vivenda 
e de castanheiro em castanheiro 
aperta as capas agita a tricolor no bungalow 
no dia em que os bersaglieri 
entram de novo em Trieste. 
Tudo é pois suave debaixo das árvores 
junto das mês e das sua capas alaranjadas 
a terra, a terra e toda a pena de amor 
existe outra pena? 
estão além das cancelas: assim as Fúrias 
e as obras inacabadas. 

Mas estas não são as mães 
eu sei, são veados à espera.

terça-feira, 29 de junho de 2021

 LUCIANO ERBA


IL CAVALIERE DEL GARBO 

Oppure 
svernare agli ultimi piani 
nelle cento città. Una corda 
molte corde 
da una parete all’altra, da soffitti 
al pavimento. Tese. 
E il qiueto soleggiare sulle dimore. 
Mie Rosalbe Carriere 
rivedrò i vostri ombrelli piumate? 
Miei sogni aprirò 
le vostre chiuse cerniere?


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O CAVALEIRO DO GARBO 

Ou então 
passar o inverno nos últimos pisos 
nas cem cidades. Uma corda 
muitas cordas 
de uma parede à outra, do tecto 
ao soalho. Esticadas. 
E o pacato soalheiro nas residências. 
Minhas Rosalbas Carriera 
verei de novo as vossas sombrinhas plumadas? 
Os meus sonhos abrirão 
os vossos fechos cerrados?

sábado, 29 de maio de 2021

 LUCIANO ERBA


UN’ALTRA CITTÀ 


La vigneta del vecchio libro illustrato 
sempre sfugita sotto la velina 
per tante volte che lo avevo sfogliato 
mi rivela un’altra città 
che sale e si distende lungo un fiume 
sotto un cielo blu notte. 
Dai tetti gli uomini guardano a stelle 
che sembrano cervi volanti 
appaiono donne ai ballatoi 
mentre sull’oposta riva del fiume 
un viaggiatore lega a un tronco il cavallo: 
há scoperto anche lui la città.


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OUTRA CIDADE 

A vinheta do velho livro ilustrado 
sempre esquiva debaixo do velino 
de tantas vezes que o desfolhara 
revela-me outra cidade 
que sobe e se estende ao longo de um rio 
debaixo de um céu azul nocturno. 
Dos telhados homens observam estrelas 
que parecem papagaios de papel 
aparecem mulheres nos patamares 
enquanto na margem oposta do rio 
um viajante prende a um tronco o cavalo: 
descobriu também ele a cidade.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

 LUCIANO ERBA


PIOVERÀ 


Prima che piova 
ripassano le rondini sulla strada. 
Passa  
un uccello che non conosco 
con ala lenta 
e volo parallelo alla terra. 
La noia 
di questo mattino 
ritorna al suo cielo di pioggia.


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CHOVERÁ 

Antes que chova 
as andorinhas voltam a passar sobre a estrada. 
Passa 
uma ave que não conheço 
com asa lenta  
e voo paralelo à terra.
O tédio 
desta manhã 
regressa ao seu céu de chuva.

quarta-feira, 17 de março de 2021

 LUCIANO ERBA


PIOVERÀ 

Prima che piova 
ripassano le rondini sulla strada. 
Passa 
 un uccello che non conosco 
con ala lenta 
e volo parallelo alla terra.
La noia 
di questo mattino ritorna 
al suo cielo di pioggia.


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CHOVERÁ 

Antes que chova 
as andorinhas voltam a passar sobre a estrada.
Passa 
uma ave que não conheço 
com asa lenta e voo paralelo à terra. 
O tédio 
desta manhã regressa 
ao seu céu de chuva.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

 LUCIANO ERBA


 IL MOSCERINO 

Il moscerino che si agitava nel bicchiere 
di vino rosso di undici gradi 
salvato per pura curiosità 
studiato a lungo sulla tovaglia 
volato via per un altro suo giro 
non andrá così lontano questa sera: 
trai noi due vi è diversità di durata 
eppure mi sento como riunito 
con l’insetto osservato… 
così i miei versi: rincorrono le cosi 
ma alla fine incontrano se stessi.



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 O MOSQUITO 

O mosquito que se agitava no copo 
de vinho tinto de onze graus 
salvo por mera curiosidade 
examinado devagar sobre a toalha 
levantou voo para outra volta 
não chegará muito longe esta noite: 
a nossa duração é diferente 
no entanto sinto-me como reunido 
com o insecto observado… 
vê os meus versos: percorrem as coisas 
mas no fim encontram-se a si mesmos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 LUCIANO ERBA


AL MARE D'AGOSTO

Gli accappatoi asciugano al vento 
vuoti vanno su e giù 
sono di tanti colori 
dal rosso al bianco ed al blu: 
perchè li trovo più belli di quando coprivano il corpo 
di un addetto a non só quali mansioni 
di una nuotatrice venuta dal Nord?


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 NO MAR DE AGOSTO 

Os roupões enxugam ao vento 
vazios balançam 
têm tantas cores 
do vermelho ao branco e ao azul: 
por que me parecem mais belos 
que quando cobriam o corpo de um encarregado de incumbências 
desconhecidas de uma nadadora vinda do Norte?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

 LUCIANO ERBA


       VERSO SANTIAGO 

Mi ritrovo negli spazi intermedi 
su una strada di terra e cespugli 
a perdita d’occhio verso i monti 
non só se cantabrici o galleghi 

mi ritrovo senza traccia di tappa 
di sosta, di partenza, di arrivo 
non incontro fonti né incroci 
né querce in gruppo sull’altopiano 

uno stento girasole selvatico 
spunta da un campo di biada 
non meno diverso da un segno 

di ruota nel fango riarso 
dalla polvere, da tutti gli sterpi 
dalle grandi nuvole sopra di noi.


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          A CAMINHO DE SANTIAGO 

Encontro-me nos espaços intermédios 
por uma estrada de terra e silvados 
a perder de vista em direcção a serras 
não sei se cantábricas ou galegas 

encontro-me sem plano de jornada 
de paragem, de partida, de chegada 
não avisto fontes nem encruzilhadas 
nem bosque de carvalhos no planalto 

um laborioso girassol selvagem 
desponta num campo de cevada 
não menos diferente de um sinal 

de caminho na lama seca 
da poeira, de todos os galhos 
das grandes nuvens sobre nós.

sábado, 5 de dezembro de 2020

 LUCIANO ERBA


AUTORITRATTO 

Uomo vecchio in città 
disperso su tronchi secondari di ferrovia 
o com un piatto di lesso 
davanti a tetti umidi di pioggia. 

Tutti qui il tuo quie ora? 
Interroghi l’alfabeto delle cose 
ma al tuo non capire niente di ogni sera 
sai la risposta di un mazzo di rose? 

Rimani quello che andava per ciliege 
e a mani vuote 
strappava al tronco nastri di corteccia. 

Resti un ladro di polli 
con gli occhi oggi ancora spuvveduti 
di quando in ritardo andavi a scuola


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AUTO-RETRATO 

Homem velho na cidade 
perdido em linhas secundárias de comboio 
ou com um prato de cozido 
diante de tectos húmidos de chuva. 

Tudo aqui o teu que é agora? 
Interrogas o alfabeto das coisas 
mas ao teu nada entender de cada noite 
sabes a resposta de um ramo de rosas? 

Permaneces aquele que andava às cerejas 
e de mãos vazias 
arrancava do tronco tiras de casca. 

Continuas um ladrão de galinhas 
com os olhos ainda hoje desprevenidos 
de quando ias atrasado para a escola

  FRANK O'HARA PISTACHIO TREE AT CHATEAU NOIR Beaucoup de musique classique et moderne Guillaume and not as one may imagine it sounds no...