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quinta-feira, 20 de abril de 2023

 THEODORIDAS


Sou o túmulo de um náufrago. Prossigam;
quando me afundei outros barcos prosseguiram.


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TYMNES


Veio de Malta o cão branco,
fiel guardião de Eumelus.
Chamava-se Touro; agora, as veredas
silenciosas da noite não o deixam ladrar.


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Que o coração não te pese, Philaenis,
por não repousares na margem do Nilo,
mas jazeres em Eleutherne. De onde
se parta, a estrada para o Hades é a mesma.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

 LEONIDAS DE TARENTO


Aqui a pequena cabana de Klito.
Aqui o seu pequeno milheiral. 
Aqui a sua diminuta vinha.
Aqui o seu bocado de bosque.
Aqui viveu Klito oitenta anos.


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Recordam Euboulos, o homem sóbrio?
Eis o seu túmulo. Antes beber:
todos fundearemos no porto do Hades.


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Longe de Itália, longe do meu Tarento natal,
a minha jazida; e isso é pior que a morte.
A vida errante é dura. Mas fui amado
pelas Musas, deram-me mel por amargura.
O nome de Leonidas não cairá no olvido;
graças às Musas soará até ao fim do tempo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

 HERAKLEITOS


A terra foi cavada há pouco,
as coroas de flores quase murchas
pendem na pedra tumular.
Viajante, que dizem as letras?
Que dizem elas dos ossos,
que a lage diz guardar?
Estrangeiro, sou Aretemias
de Cnidos. Fui a mulher
de Euphro. Não fui poupada
às dores do parto. Deixei um gémeo
para amparar a velhice do marido,
levei o outro para o recordar.

sábado, 22 de outubro de 2022

CALÍMACO


Há, juro por Pan, por Dionisos,
fogo escondido debaixo das cinzas. 
Desconfio de mim; não me perturbem.
Quantas vezes regatos mansos
minaram muros. Temo, Menexanos,
que este réptil silencioso 
me invada e me entregue ao amor.


Kallignotos jurou a Ionis - ninguém 
(rapaz ou rapariga) lhe seria mais querido.
Jurou! - mas o provérbio diz: os deuses têm
ouvidos impenetráveis a juras de amantes.
Agora, arde de amor por um rapaz. Dela, pobre
rapariga, ouve-se-lhe tanto como de Megara.


Menoetas de Lyctus,
em oferenda a Serapis,
disse: "Presenteio-te com
o arco e o carcás;
os homens de Hesperis
ficaram com as flechas."


- "Charidas jaz junto a ti?" - Se te referes
ao filho de Arimmas de Cirene, sim."
- "Charidas, como é aí, em baixo?" - Muito 
  escuro."
- "E a ressureição?" - "Mentira." - "E Plutão?"
- "Um mito." - "Então acabou-se... - "O que
  digo
é a verdade. Se queres ouvir algo agradável,
um grande boi, no Hades, vale um tostão."

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

 NOSSIS

Iremos ao templo,
ver a estátua de Afrodite,
trabalho delicado, em ouro.
Polyarchis ergueu-a,
a que prosperou 
pela beleza do seu corpo.


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Nada supera o amor,
as outras bênçãos prestam-lhe vassalagem.
Pelo mel que me saiu da boca,
eu, Nossis, garanto-o. Mas quem
Cypris não beijou, nunca saberá
que rosas são as suas flores.

sábado, 23 de julho de 2022

 TEÓCRITO

Viajante, olha bem para esta estátua
e quando regressares a casa, diz: "Em Teos
vi uma estátua de Anacreonte,
um dos maiores poetas de outrora."
Se acrescentares que apreciava rapazes
terás, por completo, descrito o homem. 

domingo, 29 de maio de 2022

 ANITE

Também tu morreste, há muito,
em bosque de raízes emaranhadas,
cadela lócria, a mais veloz das cachorras,
feliz com a língua de fora: uma víbora de
garganta malhada enroscou-se nos teus
membros e instilou um veneno corrosivo.


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Nunca mais, de madrugada,
irás acordar-me, a bater
asas ruidosas: enquanto
dormias, a raposa cravou
as garras na tua garganta.


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Eis o bode cornudo de Dionisos,
que orgulho na sua face hirsuta.
Nas montanhas, uma Náiade acariciou
o seu rosto peludo com mão rósea
- isso envaideceu-o.


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Enquanto vivo, Manes foi um escravo.
Morto, vale tanto como Dario, o Grande.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

 POSEDIPPOS

Neste fosso áspero jaz,
envolto na mortalha
- os trapos que eram a sua melhor roupa,
um tal Phyrromachus, glutão
pobre e esfarrapado, que
como um corvo sujo,
esperançoso se intrometia
nos festins nocturnos. Peço:
venera o túmulo e coloca
algumas flores se, alguma vez,
nas horas pequenas,
conheceste alguém assim.
Regressava dos Jogos Leneus,
com os dentes partidos,
o olho negro, a testa ensanguentada
(na mão o frasco de óleo,
que era tudo o que possuía)
e bêbedo caiu neste barranco:
um destino tragi-cómico.

sexta-feira, 11 de março de 2022

           AUTOMEDON

   (OU ALEXANDRE)


Tu, que irás morrer, cuida da tua vida;
não navegues na estação adversa - ninguém
vive muito tempo. Tão impaciente para alcançar
a bela Tassos, comerciar na Síria inóspita,
pobre Cleonicus, navegou no ocaso das Pleiades
e, assim, com as Pleiades se afundou.

domingo, 23 de janeiro de 2022

SIMIAS


 Gentilmente abraça, ó hera,
o túmulo de Sófocles,
entrelaça a tua verdura
com as pétalas da rosa
e os novos rebentos da trepadeira,
em louvor da sabedoria e da beleza
desse coração, através do qual
cantaram os Imortais.

sábado, 9 de outubro de 2021

 ASCLEPÍADES


Aprazível é um gole de neve
a quem o Verão abrasa.
Aprazível a brisa primaveril
ao marinheiro, após as tormentas
de Inverno. Mais aprazível
um lençol sobre dois amantes,
que veneram Afrodite.


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Estás a guardar-te? Para quê?
No Hades não encontrarás
ninguém que te ame.
O amor é para os vivos.
Além do Rio, querida
virgem, seremos pó e cinzas.


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Abracei a fogosa Hermione.
Tinha, ó Cípria, um cinto
com letras douradas:
estava escrito:
"Ama-me e esquece
a mágoa, se eu 
pertencer a outro." 

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

 DEMODOCUS


Em tempos, uma víbora
mordeu um capadócio:
morreu, de tal sangue
venenoso.

sábado, 26 de junho de 2021

 SIMONIDES


Ao trazerem a Apolo
as oferendas de Esparta,
um mar, uma noite, um barco
afundaram estes homens.



Teodoro regozija-se
porque estou morto.
Outro se regozijará
quando ele morrer.
Todos pertença da morte.

terça-feira, 25 de maio de 2021

PHOKYLIDES


Phokylides diz: são velhacos
os de Leros. Não é este 
ou aquele, são todos.
Excepto Prokles. E Prokles?
É de Leros.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

 POEMAS DA ANTOLOGIA GREGA


Sob este título foi publicada em 2018 (Assírio & Alvim) uma pequena antologia de poemas da Antologia Grega (ou Palatina). As versões passaram, novamente, por traduções em inglês.


ARQUÍLOCO

A minha lança de freixo
é o meu pão de cevada,
a minha lança de freixo
é o meu vinho ismárico.
Encosto-me a ela e bebo.


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Estou-me nas tintas, se um gorila trácio
se pavoneia com o magnífico escudo, criado nos bosques.
Abandoná-la foi penoso, mas numa emboscada 
conservei a pele intacta. Bons escudos compram-se.

  FRANK O'HARA PISTACHIO TREE AT CHATEAU NOIR Beaucoup de musique classique et moderne Guillaume and not as one may imagine it sounds no...