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segunda-feira, 20 de março de 2023

 JON JUARISTI


AQUA MUNDA

Hoy, cuando te destruye
El mismo ruiseñor de piedra y humo
Que consumió su gracia irrepetible,
Te perguntas si, acaso,
De haberlo pretendido,
Habrías conseguido
Robársela unos años a la muerte.

Estúpida cuestión. Olvida y vive en paz
Lo poco que te queda,
Pues no eres ya aquel necio veinteañero
Que amaba amar y, antes de las resacas,
Se creía, el cabrón, omnipotente.

Y agradece a la edad
Que te obligue a advertir el sinsentido
Del lamentable asunto
Que devastó tu juventud. Enfrente
Sólo tienes la noche y el vacío
Y el viento sobre lóbregas colinas. 


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AQUA MUNDA

Hoje, quando te destrói
O mesmo rouxinol de pedra e fumo
Que consumiu a sua graça irrepetível,
Perguntas-te se, por acaso,
De tê-lo pretendido
Terias conseguido
Roubar uns anos à morte.

Estúpida questão. Olvida e vive em paz 
O pouco que te resta.
Pois já não és aquele néscio de vinte anos
Que amva amar e, antes das ressacas,
Cria.se, o cabrão, omnipotente.

E agradece à idade
Que te obrigue a perceber o sem-sentido
Do lamentável assunto
Que devastou a tua juventude. Em frente
Só tens a noite e o vazio
E o vento sobre lôbregas colinas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

 JON JUARISTI


LUIS ALBERTO DE CUENCA

Lejos ya aquel encontro en los setenta
("Muchacho, esto se acaba", verificas);
Antes que la Parca abra las plicas
Y nuestros nombres cante tan contenta,
Quiero dejar constancia
De que siempre plagié tu inteligencia,
Pero no tuve dotes ni paciencia
Para hurtarte una sombra de elegancia.
Hoy, que los mastines
Del Tiempo nos abruman los aullidos,
Deja que les hagamos frente unidos,
Espejo de tintines,
Y ya que no Milú -qué más quisiera-
Seré un capitán Haddock a tu vera.


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LUIS ALBERTO DE CUENCA

Distante já aquele encontro nos setenta
("Rapaz, isto acaba-se", verificas),
Antes que a Parca abra as cartas de penhor
E os nossos nomes cante tão contente,
Quero deixar testemunho
De que sempre plagiei a tua inteligência,
Mas não tive dotes nem paciência
Para roubar-te uma sombra de elegância.
Hoje, que dos mastins
Do Tempo nos afligem os uivos,
Permite que lhe façamos frente unidos,
Espelho de tintins
E já que não Milú -era o que queria-
Serei um capitâo Haddock a teu lado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

 JON JUARISTI

ARCADIA FOREVER

                                     A Juan Pablo y Eva

Preciso una segunda residencia.
A ser posible en zona no muy húmeda:
Una modesta villa con jardín
Cerca de una ciudad como Sepúlveda.

No me vendría mal la vencidad
De un par de mamelones del Jurásico
Dando sombra a un regato rumoroso,
Que en este del paisaje soy muy clásico.

Si no es mucho pedir, preferiría,
De hacérseme una oferta, que estuviera,
Siempre dentro de un precio razonable,
En alguma comarca ganadera,

Pues nunca ha conseguido trasponerme
El canto del arado y del tractor.
Me  priva, en cambio, el género bucólico:
Un rebaño, una flauta y un pastor.

Quedaría en extremo satisfecho
Si además fuese ovina la cabaña.
Es difícil, lo sé, dada la enorme
Pujanza del cabrío en toda España

(lo cual, por otra parte, es compresible,
Toda vez que se tenga en cuenta el dato
De que la raza hispánica desciende
Del cruce de una cabra con Viriato).

No pondría objeciones poderosas
A la mezcla de churras con merinas
E incluso admitiría las eléctricas
Mientras no fuesen bravas ni astifinas

(No está de sobra, no, tal requisito,
Hipócrita lector: hazte a la idea
De que vas paseando por el campo
Y que viene una oveja y te cornea).

Si hiciera falta un bosque en el entorno,
Apuesto por el pino y la genista
(no hay que cuidarlo mucho y arde en pompa
Bajo cualquier gobierno socialista).

Inútil es, supongo, que reclame
Una heredad a salvo de reptiles
Ni de plagas de insectos con memoria
De las guerras civiles,

Pero exijo que no haya pajarracos
Que con sus dulces trinos
Me despierten del sueño de los justos
Alabando la paz de los cretinos.

Desdeño su romanza humanitaria,
Las flores de nectarios filantrópicos
Y los gayos plumajes irisados
Usuales en los trópicos

En materia de arbustos yo me dejo
Aconsejar por sabios y profanos
Con tal de que no aromen el ambiente
Ni sirvan de refugio a los enanos.

Amo la soledad y reñiría
Con todo propietario colindante.
Absténganse por tanto de oferecerme
Un entorno amistoso y elegante.

Me basta la presencia en derredor
De romero, tomillo, jara, espliego...
Vivir quiero conmigo
Y con mi colección de armas de fuego.


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ARCADIA FOREVER

                                      Para Juan Pablo e Eva

Preciso de uma segunda residência,
A ser possível em zona não muito húmida:
Uma modesta vila com jardim
Perto de uma cidade como Sepúlveda.

Não me calharia mal a vizinhança
De um par de outeiros do Jurássico
Dando sombra a um regato rumoroso,
Que nisto de paisagem sou muito clássico.

Se não é pedir muito, preferiria,
A fazerem-me uma oferta, que estivesse, 
Sempre dentro de um preço razoável,
Nalguma comarca ganadeira,

Pois nunca consegui ocultar-me
O canto do arado e do tractor.
Prefiro, pelo contrário, o género bucólico:
Um rebanho, uma flauta e um pastor.

Ficaria muitissimo satisfeito,
Se além disso fosse ovina a cabana.
É difícil, sei-o, dada a enorme
Pujança do bode em toda a Espanha

(o que, por outro lado, é compreensível,
Desde que se tenha em conta o facto
De que a raça hispânica descende
Do cruzamento de uma cabra com Viriato).

Não poria objecções poderosas
À mistura de churras com merinas
E até admitiria as eléctricas
Desde que não fossem bravas e de hastes finas

(Não é dispensável, não, tal requisito,
Hipócrita leitor, imagina
Que vais passeando pelo campo
E que vem uma ovelha e te corneia).

Se fizer falta um bosque no arredor
Aposto pelo pinheiro e o piorno
(não necessita muito cuidado e arde com pompa
Sob qualquer governo socialista).

É inútil, suponho, que reclame
Uma herdade a salvo de répteis
Ou de praga de mosquitos com memória
Das guerras civis.

Mas exijo que não haja passaroucos
Que com os seus doces trinados
Me despertem do sono dos justos
Louvando a paz dos cretinos.

Desdenho a sua romança humanitária,
De flores de nectários filantrópicos
E as gaias plumagens irisadas
Usuais nos trópicos

Em matéria de arbustos deixo-me 
Aconselhar por sábios e profanos
Desde que não aromatizem o ambiente
Nem sirvam de refúgio aos anões.

Amo a solidão e discutiria
Com todo o proprietário crcundante.
Abstenham-se, portanto, de oferecer-me
Uma vizinhança amistosa e elegante.

Basta-me a presença em redor
De alecrim, tomilho, esteva, alfazema...
Viver quero comigo
E com a minha coleção de armas de fogo. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

 JON JUARISTI

PÁGINAS DE RUNCIMAN

                                 A Joaquín Puig de la Bellacasa

Innumerable, como vasta arena,
Comparece la hueste de los Últimos Días
Ante los muros de Constantinopla.

La ciudad va a caer. Segunda Roma,
No debe a la Primera
Sino el hedor a cobardía y cálculo
Que el viento de Poniente trae consigo.
Pibiertoero della Francesca
Pinta en Urbino a Cristo desollado
Por los látigos turcos.
Mercaderes y cónsules contemplan el suplicio
Como quien ve llover sobre Venecia.

Constantino Dragasic avanza hasta el portillo
Que han abierto las minas
En las paredes del postrer reducto.
A su lado combate Francisco de Toledo.
Hoy morirán los dos:
Un caballero pobre de la remota España
Junto al Emperador de los Romanos.

Ni el Papa ni Mahmet el Pederasta
Saben que aquí concluye la juventud del mundo.
No habrá más paladines ni sueños generosos
Sino estrategia y táctica,
Equilibrio de fuerzas,
Esclavitud y expolio en ínsulas extrañas,
Sangrientas fiestas de la artirellía,
Diplomacia venal y victorias mecánicas.

Tampoco don Francisco 
Se sabe un personaje absurdo y gótico,
Digno de una novela aún no nacida.
Volteando un montante
Como un molino de furiosas aspas,
Tajando fieramente y desangrádose,
contra Gog y Magog defiende las murallas
De la Ciudad de Dios.

Allá en Arezzo, Piero
Pinta los triunfos de la Vera Cruz:
Deshace Constantino las filas de Magencio.
A Heraclito el Santo Leño otorga el día
Frente al furor del pálido Cosroes.

El Arte invierte en su engañoso espejo
Los términos confusos de la vida:
Brilla la media luna sobre el Bósforo.
Mercaderes y cónsules y el Dogo encaegan copias
De los libros de Valla.
Hay que aprender deprisa a ser antiguos. 


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PÁGINAS DE RUNCIMAN

                                  A Joaquín Puig de la Bellacasa

Inumerável como vasto areal
Comparece a hoste dos Últimos Dias
Diante dos muros de Constantinopla.

A cidade vai cair. Segunda Roma
Não deve à Primeira
Senão o fedor a cobardia e cálculo
Que o vento de Poente traz consigo.
Piero della Francesca
Pinta em Urbino a Cristo esfolado
Pelos látegos turcos.
Mercadores e cônsules contemplam o suplício
Como quem vê chover sobre Veneza.

Constantino Dragasic avança para abertura
Que as minas abriram
Nas paredes do último reduto.
A seu lado combate Francisco de Toledo.
Hoje morrerão os dois.
Um cavaleiro pobre da remota Espanha
Junto ao Imperador dos Romanos.

Nem o Papa, nem Mehmet, o Pederasta
Sabem que aqui termina a juventude do mundo.
Não haverá mais paladinos nem sonhos generosos,
Apenas estratégia e táctica,
Equilíbrio de forças,
Escravidão e espoliação em ínsulas estranhas,
Sangrentas festas de artilharia,
Diplomacia venal e vitórias mecânicas.

Tão pouco Dom Francisco
Se sabe um personagem absurdo e gótico,
Digno de uma novela ainda não nascida.
Volteando o seu montante
Como um moinho de furiosas aspas,
Cortando feramente e dessangrando-se,
Contra Gog e Magog defende as muralhas 
Da Cidade de Deus.

Lá em Arezzo, Piero
Pinta os triunfos da Vera Cruz:
Desfaz Constantino as filas de Magêncio.
A Heraclito o Santo Lenho outorgado
Frente ao furor do pálido Cosroes.

A Arte inverte no seu enganoso espelho
Os termos confusos da vida:
Brilha a meia-lua sobre o  Bósforo.
Mercadores e cônsules e o Doge encarregam cópias
Dos livros de Valla.
Há que aprender depressa a ser antigo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

JON JUARISTI


BAB AL ZAKKA

                                               A Luis Javier Ruiz Sierra


Aquí, donde su clava se hizo llave,
Un atezado príncipe del Nilo
Concluyó el desmedido peristilo
Que circundara el piélago suave.
Entre Calpe y Abila, aquí, la nave
Del Laértida artero probó el filo
Del tenebroso Oceáno intranquilo
Donde la voz del dios se torna grave.
También nosotros, en la Puerta Estrecha,
Cuando todo es tormenta por delante,
Tornamos la mirada hacia Levante,
Pero brama la voz: "¡Pasad la brecha!"
Plus Ultra. Hay que partir con alegría:
Queda mucha derrota todavía.


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BAB AL ZAKKA                

                                 Para Luis Javier Ruiz Sierra


Aqui, onde a sua clava se fez chave,
Um tisnado princípe do Nilo
Concluiu o desmedido peristilo
Que circundara o pélago suave.
Entre Calpe e Abila, aqui, a nave
Do Laértida arteiro provou o fio
Do tenebroso Oceano intranquilo
Onde a voz do deus se torna grave.
Também nós, na Porta Estreita,
Quando tudo é tormenta para diante
Voltamos o olhar para Levante.
Mas brama a voz: "Passai a brecha!"
Plus Ultra. Há que partir com alegria:
Resta muita derrota todavia.
                                 



segunda-feira, 27 de junho de 2022

 JON JUARISTI


2005

Las tardes grises cada vez más frías
Y los terrores de la soledad:
Dorados previlegios de la edad
(conste que lo sabías).
La muerte ya no esconde sus espías:
Le diverten tus cambios de ciudad
Una barbaridad
(también tus impostadas agonías).
Las tardes frás cada vez más foscas,
Una angina detrás de cada esquina
Y comprimidos de cafeinitrina
(nunca menos de tres, por si las moscas).
La hipocondría de la cinquentena
Se ha instalado en tu casa. Enhorabuena.


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2005

As tardes cinzentas cada vez mais frias
e os terrores da solidão:
Dourados previlégios da idade
(conste que o sabias).
A morte já não esconde os seus espias:
Divertem-na as tuas trocas de cidade
Uma barbaridade
(também as tuas fingidas agonias).
As tardes frias cada vez mais foscas,
Uma angina atrás de cada esquina
E comprimidos de cafenitrina
(nunca menos de três, por vausa das moscas).
A hipocondria da cinquentena
Instalou-se na tua casa. Bem-vinda.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

 JON JUARISTI

PÓNTICA

Al otro pertenecen
Las escenas que guarda tu memoria:
Imágenes confusas
Que el óxido del tiempo deteriora.

 Otro es el que las sueña
Desde un ayer de rabia silenciosa.

Muere con ellas una lengua exangüe
Y una causa llamada a la derrota.

Y tú envejeces lejos,
En el destierro de la terra toda,
Entre voces ajenas
Y soledades próximas,
Perdiendo cada día y rescatando
Los colores, las líneas y las formas
De un mundo ajeno que creíste tuyo
Y alzando en torno de su ausencia torva
Gastados laberintos de palabras,
Una mansión decrépita y angosta,
Una torre, un brocal, quizá una vida.

Del otro son los sueños que custodias.


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PÔNTICA

Ao outro pertencem
As cenas que guarda a tua memória:
Imagens confusas 
Que o óxido do gtgempo deteriora.

Outro é que as sonha
Desde um ontem de raiva silenciosa.

Morre com elas uma língua exangue
E uma causa convocada à derrota.

E tu envelheces longe,
No desterro da terra toda,
Entre vozes alheias
E solidões próximas,
Perdendo cada dia e resgatando
As cores, as linhas e as formas
De um mundo alheio que creste teu
E erguendo em torno da sua ausência turva
Gastos labirintos de palavras,
Uma mansão decrépita e estreita,
Uma torre, um bocal, talvez uma vida.

Do outro são os sonhos que custodias. 

domingo, 27 de março de 2022

 JON JUAlRISTI

IDEA DE LA PROSA

Irrecobable incandescencia
de la vida sin experiencia:
mi juventud en poesía.

Me acuerdo a veces, mas divago
luego y me acuerdo del estrago
que cada verso me infligia.

Por eso digo: Vanidad, 
musa terrible de una edad
de infatuación y tontería,

diosa blanca que vas, de amor,
tumbando a los poetas por
los bares, al rayar el día,

pálida diosa resacosa
que te insinuabas en la rosa
del quicio de la mancebía,

brinda conmigo a la ocasión
y olvídame, dulce pendón:
no busco ya tu compañía.

El tiempo me ha llegado de 
seguir la oculta senda que
conduce a donde se econdía

aquel de sabios gran tropel
que huyó de tus labios de miel
a tu primera tropelia.

Aunque es muy tarde, yo también
intentaré tomar el tren
blindado de la medianía

y en la mediocridad cuprosa
cultivaré la honrada prosa
que sin espinas se ofrecía:

prosa del mundo, tan prosaica,
tan gris, tan átona, tan laica,
flor del mal de la burguesía,

pero flor fina al fin y al cabo,
flor que cabalmente recabo
al recabar sabiduría.


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IDEIA DA PROSA

Irrecuperável incandescência
da vida sem experiência:
a minha juventude em poesia.

Recordo-me às vezes, mas divago
logo e recordo-me do estrago 
que cada verso me infligia.

Por isso digo: Vaidade,,
musa terrível de uma idade
de infatuação e tontice,

deusa branca que vais, de amor,
derrumbando os poetas pelos 
bares, ao raiar do dia,

pálida deusa da ressaca,
que te insinuavas na rosa
dos gonzos da mancebia,

brinda comigo à ocasião
e esquece-me, doce pendão:
não busco já a tua companhia.

Chegou-me o tempo de 
seguir a oculta senda que
conduz a onde se escondia

aquele grande tropel de sábios
que fugiram dos teus lábios de mel
à tua primeira tropelia.

Ainda que seja muito tarde, também
tentarei apanhar o trem 
blindado da mediania

e na mediocridade cuprosa
cultivarei a honrada prosa
que sem espinhas se oferecia:

prosa do mundo, tão prosaica,
tão gris, tão átona, táo laica,
flor do mal da burguesia,

mas flor fina ao fim e ao cabo,
flor que cabalmente reclamo
ao reclamar sabedoria.








domingo, 20 de fevereiro de 2022

JON JUARISTI


PALINURO

     Lejos quedó la pobre loba, muerta...
                                                     A. M.

                                                     

Ahora que caes  tan lejos,
juventud,
y que crujen mis años
como paja esparcida bajo el trillo,
proclamo que, aunque bien que lo intentaste,
no pudiste conmigo, hija
de puta.

Resistí con ayuda de algún fármaco,
casi siempre adquirido en el mercado negro,
y de aquella virtud que suele agradecerse,
de la cuarta virtud,
la voluntad.

Como una loba en celo me reclamas,
aullando en la distancia, más allá de los yermos
que he sembtado de novias irascibles.

Nada me ofreces,
nada
que no haya devanado hasta el aburrimiento.
Inúyilmente gimes.
Ni tripulando un tango, óyelo bien,
volvería hacia ti.

No te debo siquiera gratitud. No me diste
un solo instante amable que yo no te arrancara
con la navaja al cuello,
y poca cosa queda de lo que te birlé:
materia para el sueño de las siestas de otoño,
trufas sentimentales que escondo entre mis versos
y un centenar de cartas que voy extraviando
en mis cambios de piso.

Tú también envejeces.
Cada vez que te nombran te desgastan un poco.
Por lástima o venganza,
uno busca sinónimos melancólicamente
pero detrás de todos te insinúas,
incorregible suripanta, alzando
de cada uno de ellos el borde hasta tus muslos.

(No tudo estuvo mal. Tampoco exageremos.
Por lo menos, viví. 
Tuve mi epoca.)


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PALINURO
        
        Longe ficou a pobre loba, morta...
                                                       A. M.

Agora que cais tâo longe,
juventude,
e que rangem os meus anos
como palha espalhada debaixo do malho,
proclamo que, ainda bem que o intentaste,
não pudeste comigo, filha 
da puta.

Resisti com a ajuda de algum fármaco,
quase sempre adquirido no mercado negro,
e daquela virtude que costuma agradecer-se,
da quarta virtude,
a vontade.

Como uma loba no cio reclamas-me,
uivando ao longe, mais além dos ermos
que semeei de namoradas irascíveis.

Nada me ofereces,
nada que não tenha dobado até ao aborrecimento.
Inutilmente gemes.
Nem tripulando um tango, ouve bem,
voltaria para ti.

Não te devo sequer gratidão. Não me deste
um único instante amável que eu não te arrancasse
com a navalha no pescoço,
e pouca coisa resta do que te fanei:
matéria para o sonho das sestas de outono,
trufas sentimentais que escondo entre os meus versos
e uma centena da cartas que vou extraviando
nas minhas mudanças de casa.

Tu também envelheces.
Cada vez que te nomeiam desgastam-te um pouco.
Por lástima ou vingança,
procuram-se sinónimos melancolicamente,
mas atrás de todos te insinuas,
incorrigível sacripanta, levantando
de cada um a baínha até às coxas.

(Nem tudo esteve mal. Tampouco exageremos.
Pelo menos, vivi.
Tive a minha época.)



terça-feira, 4 de janeiro de 2022

JON JUARISTI



 PARA LA GUITARRA DE ÁNGEL GONZÁLEZ


                                                           Albuquerque, 1993

Oigan el corrido del caballo blanco
que partió al gaçope por tierra fragosa.
Iba con la mira de encontrar la rosa,
la secreta rosa vecina al barranco.

Al áspero mundo pidió paso franco.
Fatigó los años sin lograr gran cosa.
La carrera un dia se volvió penosa:
le sangraba el belfo, le estallaba el flanco.

Olvidó el aroma de la flor querida,
y supo que el mundo, se gane o se pierda,
es sólo una triste, desierta llanura

y que el arte hiela y corta la vida.
Pero cojeaba de la pata izquierda
y, a pesar de todo, siguió su aventura.


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PARA A GUITARRA DE ÁNGEL GONZÁLEZ

                                                        Albuquerque, 1993

Ouçam o corrido do cavalo branco
que partiu a galope pela terra fragosa.
Ia com a mira de encontrar a rosa,
a secreta rosa vizinha do barranco.

Ao áspero mundo pediu passagem franca.
Fatigou os anos sem lograr grande coisa.
A corrida, um dia, tornou-se penosa.
Sangrava-lhe a beiça, estalava-lhe o flanco.

Olvidou o aroma da flor querida,
e soube que o mundo, ganhe-se ou perca-se,
é só uma triste, deserta planura

e que a arte gela e corta a vida.
Porém coxeava da pata esquerda
e, apesar de tudo, seguiu a sua aventura

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

 JON JUARISTI


ROSARIO 


Yo la quería mucho, pero entonces
amar y destruir sonaban parecido,
como en los más confusos poemas de Aleixandre.
Nos casamos con otros. Talvez así perdimos
lo mejor de la vida. Quién sabe. Hubo una noche
en que ambos concordamos que pude ser distinto
el rumbo de esta historia de culpa y cobardía.
Se quitó el pasador de su cabello oscuro.
y me lo dio al marchar, y nunca volví a verla.
Murió. No lo he sabido hasta esta tarde misma,
varios años después, en su pequeño pueblo
y frente a la serena desolación del mar.
Ahora intento invocarla, pero se desvanece:
No he encontrado siquiera su pasador de rafia.


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ROSARIO

Eu gostava muito dela, mas nessa altura
amar e destruir soavam semelhantes,
como nos poemas mais confusos de Aleixandre.
Casámos com outros. Talvez tenhamos, assim,          perdido
o melhor da vida. Quem sabe. Houve uma noite 
em que ambos concordámos que poderia ter sido        distinto
o rumo desta história de culpa e cobardia.
Retirou a fita do seu cabelo escuro
e deu-ma ao partir, e nunca voltei a vê-la.
Morreu. Só o soube nesta mesma tarde,
vários anos depois, na sua pequena aldeia
e frente à serena desolação do mar.
Agora procuro evocá-la, mas desvanece-se:
Não encontrei sequer a sua fita de ráfia.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

 JON JUARISTI


AGRADECIDAS SEÑAS

                                  A Luís García Montero

No tengo casa propia
ni coche. Vivo solo
y mi cuenta corriente
está en números rojos.

Habito un ventisquero,
un frío promontorio
batido por las turbias
galernas del otoño.

Pasé la cuarentena,
doblé mi Cabo de Hornos,
perdí todos los mastiles
del alma en los escollos.

He vivido en países
no demasiado exóticos,
pero del triste mundo
sé más que los geógrafos.

Nací bajo Saturno,
nocturno dios del plomo.
El mío ha sido un tiempo
tirando a tormentoso.

Mi juventud distraje
con juegos peligrosos.
Sigo siendo de izquierdas,
aunque se note poco.

No recuerdo las veces
que resbalé hasta el fondo
por el derrumbadero
de los buenos propósitos

ni quiero dar noticia
de lances más gloriosos:
volver atrás la vista
me pone melancólico.

Vaya sólo un consejo
para los paranoicos:
la amnesia, si oportuna,
aleja el mal de ojo.

Tocando a la memoria,
mejor pecar de sobrio:
mi infancia son recuerdos
de algún parque zoológico

y púberes deslices
de vate vanidoso
y megalomanía
en pantalones cortos.

Recelo hoy de los trucos
de los poetas mozos,
y a distinguir me paro
las voces de los bozos.

Amo a mí pueblo vasco,
un pueblo noble y tosco
metido en un atajo
que firmaria el Bosco.

Le dejaré en herencia
mis huesos y mis polvos
y cuatro o cinco libros
de versos rencorosos.

Y si la poesía
me ha dado casi todo
)o sea, el buen puñado
de amigos que atesoro),

reñir y enamorarme
son artes que conozco
mejor que la poesía:
juzgad ahora vosotros.


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AGRADECIDAS MORADAS

                                     Para Luis García Montero


Não tenho casa própria
nem carro. Vivo sozinho
e a minha conta corrente
está em números vermelhos.

Habito uma neveira,
um frio promontório
batido pelas turvas 
ventanias do outono.

Passei a quarentena,
dobrei o meu Cabo de Horn.
perdi todos os mastros
da alma nos escolhos.

Vivi em países
não demasiado exóticos,
mas do triste mundo
sei mais que os geógrafos.

Nasci sob Saturno,
nocturno deus do chumbo.
O meu tem sido o tempo
tirando para o tormentoso.

A minha juventude distraí
com jogos perigosos.
Continuo sendo de esquerdas,
embora se note pouco.

Não recordo as vezes
que resvalei até ao fundo
pelo desfiladeiro
dos bons propósitos,

nem quero dar notícia
de lances mais gloriosos:
olhar para trás 
põe-me melancólico.

Siga só um conselho
para os paranóicos:
a amnésia, se oportuna,
afasta o mau olhado.

No que respeita à memória
é melhor pecar por sábio:
a minha infância é recordação
de algum jardim zoológico

e púberes deslizes
de vate vaidoso
a megalomania
dentro de calções.

Receio hoje os truques
dos poetas jovens
e detenho-me a distinguir
as vozes dos buços.

Amo o meu povo basco,
um povo nobre e tosco
metido num embrulho
que assinaria Bosch.

Deixar-lhe-ei em herança
os meus ossos e o pó
e quatro ou cinco livros
de versos rancorosos.

E se a poesia
me deu quase tudo
(ou seja, o bom punhado 
de amigos que entesouro)

discutir e enamorar-me
são artes que conheço
melhor que a poesia:
julgai agora vós.

terça-feira, 8 de junho de 2021

 JON JUARISTI


SÁTIRA PRIMERA (A RUFO)

Te has decidido, Rufo, a probar suerte
en un certamen de provincias donde
ejerzo casualmente de jurado,
y encuentro razonable que me llames,
al cabo de diez años de silencio,
preguntando qué pasa con mi cátedra,
qué fue de aquella chica pelliroja
con quien lligué el ochenta en Jarandilla,
cómo siguen mis viejos, si padezco
todavía del hígado y se he visto
a la alegre cuadrilla del Pecé.
Pues bien, ya que deseas que te cuente
de mí y mí circunstancia, has de saber
que un punto de Alcalá me la birló,
en Jodellanos gran especialista,
a quien pago el café cada mañana
y sustituo volontiers los dias
en que marcha a simposios en San Diego,
en Atlanta, Florencia o Zaragoza.
Se casó con Gonzalo. El hijo de ambos
va al colegio del mío, pero en vano
acudo a todas las convocatorias,
reuniones, funciones navideñas.
La pícara me elude, y yo departo
interminablemente sobre fútboç
con el cretino del marido, mientras
asesinan los críos una sórdida
versión del Cascanueces. Bien conoces
el pelma de Gonzalo. Creo, incluso,
que fuiste tú quien lo presentó.
No pruebo ni una gota últimamente,
después de la biopsia. Te confieso
que añoro aquellos mares de vermú,
aunque el água es sanísima. Vicente,
antiguo responsable de mi célula,
es viceconsejero de Comercio
por el Partido Popular, y, claro,
se mueve en otros medios. Otra gente
parece preferir ahora Vicente.
Mis padres van tirando. Cree, Rufo,
que nada tengo contra ti. Al contrario,
te recuerdo con franca simpatía.
Sobradas pruebas de amistad me diste
en el tiempo feliz de nuestra infancia.
Es cieto que arruinaste mi mecano,
que me rompiste el cambio de la bici.
que le contaste a mi primera novia
lo mío con tu pima, la Piesplanos.
Eras algo indiscreto, pero todos
tenemos unos cuantos defectillos.
Veré qué puedo hacer. No te prometo
nada: somos catorce y, para colmo,
corre el rumor de que Juan Luis Panero. 


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SÁTIRA PRIMEIRA (PARA RUFO)

Decidiste, Rufo, tentar a sorte
num certame de provincia, onde
exerço casualmente de jurado,
e parece-me razoável que me contactes,
depois de dez anos de silêncio,
perguntando o que se passa com a minha cátedra,
que aconteceu àquela rapariga ruiva
com quem namorei nos oitenta em Jarandilla,
como passam os mus velhos, se ainda 
padeço do fígado e se tenho visto
aquela quadrilha do P. C. .
Ora bem, já que queres que te conte
sobre mim e a minha circunstância, saberás
que um tipo de Alcalá ma roubou,
grande especialista em Jodellanos,
a quem pago o café todas as manhãs
e substituo volontiers nos dias
em que se ausenta para simpósios em San Diego,
em Atlanta, Florença ou Saragoça.
Casou-se com Gonzalo. O filho deles
anda no colégio do meu, mas em vão
acudo a todas as convocatórias,
reuniões, festas natalícias.
A pícara evita-me e eu converso
interminavelmente sobre futebol
com o cretino do marido, enquanto
os putos assassinam uma versão 
sórdida do Quebra-Nozes. conheces bem
o chato do Gonzalo. Creio, até,
que foste tu que os apresentaste.
Não provo nem uma gota ultimamente,
depois da biópsia. Confesso-te
que tenho saudades daqueles mares de vermute,
embora a água seja salutarissima. Vicente,
antigo responsável da minha célula,
é vice-conselheiro do Comércio
do Partido Popular e, claro,
move-se noutros círculos. Outra gente
parece, agora, preferir Vicente.
Os meus pais vão andando. Crê, Rufo,
que nada tenho contra ti. Pelo contrário,
recordo-te com franca simpatia.
Muitas provas de amizade me deste
no tempo feliz da nossa infância.
É certo que estragaste o meu mecano,
que avariaste as mudanças da bicla,
que contaste à minha primeira namorada
aquilo entre mim e a tua prima, a Pés-chatos.
Eras algo indiscreto, mas  todos
temos uns quantos defeitozinhos.
Verei o que posso fazer. Não te prometo
nada: somos catorze e, para cúmulo,
corre o boato de que Juan Luis Panero. 

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