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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

 GIOVANNI PASCOLI


IL BOVE

Al rio sottile, di tra vaghe brume,
guarda il bove, coi grandi occhi: nel pianno
che fugge, a un mare sempre più lontano
migrano l'acque d'un cerulo fiume;

ingigantisce agli occhi suoi, nel lume
pulverulento, il salice e l'ontano;
svaria sur l'erbe un gregge a mano a mano,
e par la mandra dell'antico nume:

ampie alli aprono imagini grifagne
nell'aria; vanno tagite chimere,
simili a nubi, per il ciel profondo;

il sole immenso, dietro le montagne
cala, altissime: crescono già, nere,
l'ombre più grandi d'un più grande mondo. 


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O BOI

No ribeiro estreito, detrás de vagas brumas,
o boi observa com grandes olhos: na planície
que se afasta, para um mar sempre mais longínquo
migram as águas de um cerúleo rio;

agigantados nos seus olhos, na luz
poeirenta, o salgueiro e o amieiro;
entretem.se na erva, um rebanho denso
parece a manada de um antigo númeno:

vastas aparecem imagens ferozes
no ar; vão quimeras silenciosas,
semelhantes a nuvens pelo céu profundo;

o sol imenso, por trás das montanhas,
desce, altíssimo: crescem já, negras
as sombras maiores de um maior mundo.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

 GIOVANNI PASCOLI


NOTTE

Siedon fanciulle ad arcolai ronzanti,
e la lucerna i biondi capi indora:

I biondi capi, i neri occhi stellanti,
volgono alla finestra ad ora, ad ora:

attendon esse cavallieri erranti
che varcono la tenebra sonora?

Parlan d'amor, di cortesie, d'incanti:
così parlando aspettano l'aurora.


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NOITE

Sentam-se raparigas à dubadoura zumbidora
e a lucerna doura os cabelos louros:

Os cabelos louros, os negros olhos estrelados
espreitam à janela de quando em quando:

esperam esses cavaleiros errantes
que atravessam a treva sonora?

Falam de amor, de cortesia, de encantos:
assim falando esperam a aurora.

domingo, 30 de outubro de 2022

GIOVANNI PASCOLI


I TRE GRAPPOLI

                                                                       
                                                                      a G. S. (GIACINTO STIAVELLI)

Ha tre, Giacinto, grapolli la vite.
Bevi del primo il limpido piacere;
bevi dell'altro l'oblio breve e mite;
                                         e.. più non bere:

chè sonno è il terzo, e con lo sguardo acuto
nel nero sonno vigila, da un canto,
sappi, il dolore; e alto grida un muto
                                        pianto già pianto.


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OS TRÊS CACHOS

                                                      Para G. S. (Giacinto Stiavelli)

Tem três, Giacinto, cachos a vide.
Bebe do primeiro o límpido prazer;
bebe do outro o olvido breve e ameno                                                                                                 e... depois não bebas:

que o sono é o terceiro, e como o olhar penetrante
no negro sono vigia, desde um canto,
repara, a dor; e alto chora um mudo
                                             pranto já chorado.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

GIOVANNI PASCOLI

NEVICATA

Nevica; l'aria brulica di bianco;
la terra è bianca; veve sopra neve;
gemono gli olmi a un lungo mugghio stanco:
cade del bianco sopra un tonfo lieve.

E le ventate soffiano di schianto
e per le vie mulina la bufera;
passano bimbi: un balbettìo di pianto;
passa una madre: passa una preghiera.


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NEVÃO

Neva; o ar fervilha de branco;
a terra está branca; neve sobre neve;
gemem os olmos num longo bramido cansado:
cai o branco com uma queda suave.

E a ventania sopra com estrondo
e pelas ruas rodopia a borrasca;
passam crianças: um balbuceio de choro;
passa uma mãe: passa uma reza.

sábado, 6 de agosto de 2022

 GIOVANNI PASCOLI

LA VIA FERRATA

Tra gli argini su cui mucche  tranquilla-
mente pascono, bruna si difila
la via ferrata, chi lontano brilla;

e nel cielo di perla dritti, uguali,
con loro trama delle aere fila
digradano in fuggente ordine i pali.

Qual di gemiti e d'ululi rombando
cresce e dilegua femminil lamento?
I fili del metallo a quando a quando
squillano, immensa arpa sonora al vento.


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A VIA FÉRREA

Entre os diques onde vacas tranquila-
mente pastam, escura se precipita
a via férrea que brilha ao longe;

e no céu de pérolas crespas, iguais,
com a sua trama de fios aéreos
diminuem em fugitiva ordem os postes.

Quanto zunido de gemidos e uivos
cresce e dissipa feminil lamento?
Os fios de metal de quando em vez
ressoam, imensa harpa sonora no vento.

sábado, 18 de junho de 2022

GIOVANNI PASCOLI


IL CANE

Noi, mentre il mondo va per la sua strada,
noi ci  rodiamo, e in cuor doppio è l'affano
e perchè vada, e perchè lento vada.

Tal, qundo passa il grave carro avanti
del casolare, che il rozzon normanno
stampa il suolo con zoccoli sonanti,

sbuca il can dalla fratta, come il vento;
lo precorre, rincorre; uggiola, abbaia.
Il carro è dilungato lento lento:
il cane torna sternutando all'aia.


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O CÃO

Nós, enquanto o mundo segue o seu caminho, 
adaptamo-nos, e no coração dupla é a ânsia,
de por que prossegue e por que lento prossegue.

Da mesma forma, quando passa a pesada carroça à frente
da casa da quinta, quando o decrépito cavalo
percute o solo com cascos sonantes,

irrompe o cão da moita, como o vento;
caça-a, persegue-a; ladra, gane.
A carroça afasta-se, lenta, lenta;
o cão volta espirrando à eira.
 


sexta-feira, 29 de abril de 2022

 GIOVANNI PASCOLI

I DUE FUCHI

Tu poeta, nel torbido universo
t'affisi, tu per noi le lo cogli e chiudi
in lucida parola e dolce verso;

sì ch'opera è di te ciò che l'uom sente
tra l'ombre vane, tra gli spettri nudi.
Or qual n'hai grazia tu presso la gente?

Due fuchi udii ronzare sotto un moro.
Fano questi api quel lor miele (il primo
diceva) e niente più: beate loro!
E l'altro: E poi fa afa: troppo timo!             


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OS DOIS ZÂNGÃOS

Tu, poeta, o turvo universo
prescutas, por nós o colhes e encerras
em lúcidas palavras e doce verso;

pois que a tua obra é sobre o que o homem sente
entre sombras vãs, entre espectros desnudos.
Qual é então a gratidão da gente?

Dois zângãos ouvi zunir debaixo de uma amoreira.
Fazem estas abelhas o seu mel (o primeiro
dizia ) e nada mais: que felizes!
E o outro: e estragam-no: demasiado tomilho!



sábado, 19 de março de 2022

 GIOVANNI PASCOLI


IL LAMPO

E cielo e terra si mostrò qual era:

la terra ansante, livida, in sussulto:
il cielo ingombro, tragico, disfatto:
bianca, bianca nel tacito tumulto
una casa apparì sparì d'un tratto:
come un occhio, che, largo, esterrefatto,
s'aprì, si chiuse, nella notte nera.


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O RELÂMPAGO

E céu e terra mostraram-se como eram:

a terra ansiosa, lívida, em sobressalto:
o céu atulhado, trágico, desfigurado:
branca branca no mudo tumulto
uma casa aparece desaparece de súbito;
como um olho, que, enorme, estupefacto,
abre e fecha, na noite negra.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

GIOVANNI PASCOLI

 

NOVEMBRE


Gemmea l'aria, il sole cosí chiaro 
che tu richerchi gli albicocchi in fiore,
e del prunalbo l'odorino amaro
senti nel cuore... 

Ma secco è il pruno, e le stecchite piante
di nere trame segnano il sereno,
vuoto il cielo, e cavo al piè sonante
sembra il terreno.

Silenzio, intorno: solo, alle ventate,
odi lontano, da giardini ed orti,
di foglie un cader fragile. È l'estate
fredda, dei morti.


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NOVEMBRO

Resplandecente o ar, o sol tão claro
que procuras os damasqueiros em flor
e do pinheiro o cheiro amargo
sentes no coração...

Mas seca está a silva e as ressequidas plantas
de negras tramas assinalam o relento,
vazio o céu e oco no som dos passos
parece o terreno.

Silêncio, ao redor: só, nas rajadas de vento,
ouves ao longe, desde jardins e hortas,
das folhas uma queda frágil. È o verão
frio, dos mortos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 GIOVANNI PASCOLI


LAVANDARE

Nel campo mezzo grigio e mezzo nero
resta un arato senza buoi che pare
dimenticato, tra il vapor leggero.

E cadenzato dalla gora viene
lo sciabordare delle lavandare
con tonfi spessi e lunghe cantilene:

Il vento soffia e nevica la frasca,
e tu non torni ancora al tuo paese!
quando partisti, come son rimasta!
come l'arato in mezzo .alla maggese.


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LAVADEIRAS

No campo meio cinzento e meio negro
permanece um arado sem bois que parece
esquecido na neblina ligeira.

E em cadência da levada vem
o marulhar das lavadeiras
com baques repetidos e longas cantilenas.

O vento sopra e nevam folhas dos ramos,
e tu ainda não regressaste à tua terra!
quando partiste, como fiquei!
como o arado no meio do alqueive.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

GIOVANNI PASCOLI

(San Marco di Romagna, 18855-1912)


TEMPORALE

Un bubbolìo lontano...

Rosseggia l'orizzonte,
come affocato, a mare:
nero di pece, a monte,
stracci di nubi chiare:
tra il nero un casolare:
un'ala di gabbiano.


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TEMPORAL

Um estrondo longínquo...

Avermelha-se o horizonte
como abrasado para o mar:
negro de breu, para o monte,
farrapos de nuvens claras:
depois do negro um casinhoto:
uma asa de gaivota.

  FRANK O'HARA PISTACHIO TREE AT CHATEAU NOIR Beaucoup de musique classique et moderne Guillaume and not as one may imagine it sounds no...