sábado, 8 de janeiro de 2022

ANTHONY HECHT


A FALL


Those desolate, brute, chilling sublimities,
Unchanging but as the light may chance to fall, 
Deserts of snow, forlorn barrens of rock,
What could be more indifferent to man´s life
Than your average Alp, stripped to the blackened band sheets one
Above the tree line, except where the ice rags,
Patches, and sheets of winter cling yearlong?
The cowbell's ludicrous music, the austere
Sobrieties of Calvin, precision watches,
A cheese or two, and that is all the Swiss
Have given the world, unless we were to cite
The questionable morals of their banks.
But how are people to live in dignity
When at two p.m. the first shadows of night,
Formed by the massive shoulder of some slope,
Cast, for the rest of the day, entire valleys -
Their window boxes of geraniums,
Their cobbles, pinecones, banners and coffee cups -
Into increasing sinks and pools of dark?
And that is but half the story. The opposing slope
Keeps morning from its flaxen charities
Until, on midsummer days, eleven-thirty,
When fresh birdsong and cow dung rinse the air
And all outdoors still glistens with night-dew. 
All this serves to promote a state of mind
Cheerless and without prospects. But yesterday
I let myself, in spite of dark misgivings,
Be talked into a strenuous excursion
Along one high ridge promising a view.
And suddenly, at a narrowing of the path,
The whole earth fell away, and dizzily
I beheld the most majestic torrent in Europe,
A pure cascade, over six hundred feet,
Falling straight down - it was like Rapunzel's hair,
But white, as if old age and disappointment
Had left her bereft of suitors. Down it plunged,
Its great, continuous, unending weight
Toppling from above in a long shaft
Or carven stem that broke up at its base
Into enormous rhododendron blooms
Of spray, a dense array of shaken blossoms.
I teetered perilously, scared and dazed,
And slowly, careful of both hand and foot,
Made my painstaking way back down the trail..
That evening in my bedroom I recalled
The scene's terror and grandeur, my vertigo
Mixed with a feeling little short of awe.
And I retraced my steps in the secure
Comfort of lamplight on a Baedeker.
That towering waterfall I just had viewed
At what had seemed the peril of my life
Was regarded locally with humorous
Contempt, and designated the Pisse-Vache.


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UMA QUEDA

Estas sublimidades desoladas, grosseiras, arrepiantes,
Imutáveis, excepto pelo acaso da luz que nelas cai,
Desertos de neve, aridez desamparada de rocha
Que poderia ser mais indiferente à vida humana
Que o mais trivial dos Alpes, despojado até ao osso escurecido
Acima da linha das árvores, a não ser, os farrapos de gelo,
Manchas e lençóis do inverno se grudam todo o ano?
A música risível dos chocalhos das vacas, as sobriedades
Austerras de Calvino, relógios de precisão,
 Um queijo ou dois, é tudo o que os suíços
Deram ao mundo, a não ser que se cite
A moral questionável dos seus bancos.
Mas, como poderão as pessoas viver com dignidade,
Quando às duas da tarde as primeiras sombras da noite,
Formadas pelos bordos massivos de alguma encosta
Arrastam, pelo resto do dia, vales inteiros -
As caixas de gerânios nas janelas,
Calçadas, pinhas, bandeiras e chávenas de café -
Para crescentes fossas e charcos de escuridão?
E isso é apenas metade da história. A encosta oposta
Mantem a manhã afastada das suas esmolas de linho
Até que, nos dias do meio do verão, às onze e meia,
Novos cantos de pássaros e esterco de vaca se elevam
E todo o exterior ainda brilha com orvalho nocturno.
Tudo isto serve para promover um estado de espírito
Sem jovialidade e sem perspectivas. Mas, ontem
Consenti-me , apesar de pressentimetos sombrios,
Ser convencido por uma excursão esforçada
Ao longo de uma crista desolada prometendo uma vista.
E, de súbito, quando a vereda estreitava,
A terra inteira desabou e estonteado
Contemplei a torrente mais majestosa da Europa,
Uma cascata pura, de mais de seiscentos pés,
Caindo a pique - era como o cabelo de Rapunzel,
Mas branco, como se desapontamento e velhice
Lhe tivessem roubado os pretendentes. Mergulhava,
O seu peso enorme, contínuo, infindável,
Desabando desde cima numa longa coluna
Ou caule cinzelado que rebentava na base
Em gigantescas florescências de rododendro
De espuma, um arranjo denso de flores sacudidas.
Vacilei perigosamente, assustado e aturdido,
E lentamente, tendo cuidado com mãos e pés,
Regressei laboriosamente ao declive da vereda.
Nessa noite, no meu quarto, recordei
O terror e a grandeza da cena, a minha vertigem
Misturada com uma emoção muito próxima do terror.
E percorri de novo os meus passos no conforto
Seguro da luz da lâmpada, num Roteiro Turístico.
Essa queda de água grandiosa que tinha visto,
Ao que me pareceu em risco de vida,
Era considerada localmente com desprezo 
Humorado e designada Pisse-Vache.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

LUIS ALBERTO DE CUENCA


 EL ENCUENTRO

                            a Juan Manuel de Prada

En Salamanca, el último noviembre,
te encontré por la calle, tan delgada
como entonces, pero con más arrugas.
Dabas clases de no sé qué muy raro
(Textologia, por ejemplo) y eras
muy feliz explicando a tus alumnos
lo divino y lo humano. Me dijiste
que tus hijos quedaron en Madrid,
con su padre, y que sólo los veías
- ya eran mayores- tres o cuatro veces
al año; que te habías doctorado
(¡por fin!) y que ahora sólo te faltaba
ser funcionaria para ver el mundo
desde el lugar que merecías.
                                               Yo
te dije que bueno, que pasaba
por allí casualmente, que tenía
un amigo escritor en Salamanca
y que había venido a visitarlo.
Tú me dijiste: "¿Tienes mucha prisa
o podemos tomarnos algo juntos?"

Después de muchas copas, con el alba
siguiendo nuestra pista, te lo dije:
"Desde entonces no ha habido otra mujer."
Y en mi interior bullia la mentira
al alimón con el deseo, y todo
- aquel horrible bar, tú y yo, la noche -
era tan esperpéntico y absurdo
que se parecía a la vida.


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O ENCONTRO

                       Para Juan Manuel de Prada

Em Salamanca, no último novembro,
encontrei-te na rua, tão magra
como antes, mas com mais rugas.
Davas aulas de não sei quê, muito estranho
(Textologia, por exemplo) e eras
muito feliz a explicar aos teus alunos
o divino e o humano. Disseste-me
que os teus filhos tinham ficado em Madrid,
com o pai e que só os vias
- já eram adultos - três ou quatro 
vezes por ano; que te havias doutorado
(por fim!) e que agora só te faltava
ser efectiva para ver o mundo
desde o lugar que merecias. 
                                              Eu
disse-te que ainda bem, que passava
por ali casualmente, que tinha
um amigo escritor em Salamanca
e que tinha vindo visitá-lo.
Disseste-me: "Tens muita pressa
ou podemos beber qualquer coisa?"

Depois de muitos copos, com a alvorada
a seguir a nossa pista, disse-te:
"Desde então não houve outra mulher."
E no meu interior bulia a mentira
em conjunto com o desejo e tudo
- aquele horrível bar, tu e eu, a noite -
era tão grotesco e absurdo
que se parecia com a vida.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

JON JUARISTI



 PARA LA GUITARRA DE ÁNGEL GONZÁLEZ


                                                           Albuquerque, 1993

Oigan el corrido del caballo blanco
que partió al gaçope por tierra fragosa.
Iba con la mira de encontrar la rosa,
la secreta rosa vecina al barranco.

Al áspero mundo pidió paso franco.
Fatigó los años sin lograr gran cosa.
La carrera un dia se volvió penosa:
le sangraba el belfo, le estallaba el flanco.

Olvidó el aroma de la flor querida,
y supo que el mundo, se gane o se pierda,
es sólo una triste, desierta llanura

y que el arte hiela y corta la vida.
Pero cojeaba de la pata izquierda
y, a pesar de todo, siguió su aventura.


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PARA A GUITARRA DE ÁNGEL GONZÁLEZ

                                                        Albuquerque, 1993

Ouçam o corrido do cavalo branco
que partiu a galope pela terra fragosa.
Ia com a mira de encontrar a rosa,
a secreta rosa vizinha do barranco.

Ao áspero mundo pediu passagem franca.
Fatigou os anos sem lograr grande coisa.
A corrida, um dia, tornou-se penosa.
Sangrava-lhe a beiça, estalava-lhe o flanco.

Olvidou o aroma da flor querida,
e soube que o mundo, ganhe-se ou perca-se,
é só uma triste, deserta planura

e que a arte gela e corta a vida.
Porém coxeava da pata esquerda
e, apesar de tudo, seguiu a sua aventura

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

WELLDON KEES

ASPECTS OF ROBINSON

Robinson at cards at the Algonquin; a thin
Blue light comes down once more outside the blinds.
Gray men in overcoats are ghosts blown past the door.
The taxis streak the avenues with yellow, orange, and red.
This is Grand Central, Mr. Robinson.

Robinson on a roof above the Heights; the boats
Mourn the lost. Water is slate, far down.
Through sounds of ice cubes dropped in glass, an osteopath,
Dressed for the links, describes an old Intourist tour.
- Here's where old Gibbons  jumped from, Robinson.

Robinson walking in the Park, admiring the elephant.
Robinson buying the Tribune, Robinson buying the Times, Robinson
Saying, "Hello. Yes, this is Robinson.. Sunday
At five? I'd love to. Pretty well. And you?"
Robinson alone at Longchamps, staring at the wall.

Robinson afraid, drunk, sobbing Robinson.
In bed with a Mrs. Morse. Robinson at home;
Decisions: Toynbee or luminol? Where the sun
Shines, Robinson in flowered trunks, eyes toward
The breakers. Where the night ends, Robinson in East Side bars.

Robinson in Glen plaid jacket, Scotch-grain shoes,
Black four-in-hand and oxford button-down,
The jeweled and silent watch that winds itself, the brief-
Case, covert topcoat, clothes for spring, all covering
His sad and usual heart, dry as a winter leaf.  


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ASPECTOS DE ROBINSON

Robinson joga às cartas no Algonquin; uma fina
Luz desce, outra vez, fora das persianas.
Homens cinzentos com sobretudos são fantasmas atirados porta fora.
Os táxis riscam as avenidas de amarelo, laranja e vermelho.
Esta é Grand Central, Mr. Robinson.

Robinson num telhado acima de Heights; os barcos
Carpem como os perdidos. A água é ardósia, lá em baixo.
Entre sons de cubos de gelo a cairem nos copos, um osteopata,
Vestido à maneira, descreve uma velha viagem Intourist.
- Foi daqui que o velho Gibbons saltou, Robinson.

Robinson passando no Parque, admirando o elefante.
Robinson comprando a Tribune, comprando o Times. Robinson
Dizendo."Olá. Sim, é Robinson. Domingo
Às cinco. Gostaria. Muito bem. E tu?"
Robinson sozinho em Longchamps, mirando a parede.

Robinson, com medo, bêbedo, Robinson a soluçar
Na cama com uma Mrs. Morse. Robinson em casa;
Decisões: Toynbee ou luminol? Onde o sol
Brilha, Robinson de calções às flores, a olhar para
A rebentação. Onde a noite termina, Robinson nos bares de East          Side.

Robinson num casaco de clã, sapatos de grão da Escócia,
Peitilho negro e uma camisa de colerinho com botões,
O relógio com jóias e silencioso, de corda automática, a
Pasta, casaca leve, roupas para a primavera, tudo cobrindo
O seu coração triste e habitual, seco como uma folha de inverno.



  

sábado, 1 de janeiro de 2022

 VÍCTOR BOTAS


ASTURCÓN
(Epílogo marcial)


Este caballo de pequena alzada
que ciñe, como puede el torpe casco
a un trote acompasado, vino a ti
desde Astúrias. Comprendo
que los hay en Bética más dóciles,
con más escuela, vamos, y capaces
de recorrer la vía
Hercúlea, meneando
las cachas, casi casi
igual que Telezusa (sí, la chica
aquella, gaditana por más señas,
que de sobra podría
levantársela a un muerto
con sus danzas. Pero éste,
éste que vino
a ti desde las brumas
sigilosas del Norte, atravesando
a trancas y barrancas las alturas
de los montes astures, tan huraño,
tan modestito él, tan poca
cosa y, por si no bastara,
cojitranco, contento
se daría en los dientes con un canto,
si acertara a traerte,
para adornar tu sien, no el oro,
no las rituales ínfulas, tampoco
insensatas guirnaldas (a la postre
no se trata, supongo, de inmolar
una cerda preñada 
a la pródiga Ceres), sino algo
(imagina un instante que ahora mismo
emprendes, yo que sé, un largo viaje
a las míticas fuentes
del somnoliento Nilo
con tu amor imposible,
romántico y secreto), sino algo, decía,
muy parecido en todo
a una emoción inquieta y - ¡por qué no! ¡por qué no,
a ver, por qué? - unas gotas
de sonriente coña beatífica.


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ASTURCÓN
(Epílogo marcial)

Este cavalo de pequeno porte
que molda, como pode, o torpe casco
a um trote pausado, chegou-te 
das Astúrias, - Compreendo
que os há na Bética mais dóceis,
com mais escola, e capazes 
de percorrer a via 
Hercúlea, meneando
as ancas, quase quase
como Telezusa (sim, aquela
iga, pelos traços gaditana,
que, de sobra, poderia
fazer empinar a de um morto
com as suas danças). Mas este, 
este que te
chegou desde as brumas
sigilosas do Norte, atravessando 
todos os obstáculos das alturas
dos montes asturianos, tão furtivo,
modestíssimo, tão pouca
coisa e, como se não bastasse,
coxo a olhos vistos, contente
ficaria, entre os dentes, com um canto,
se acertasse em trazer-te,
para adornar as tuas têmporas, não o ouro,
nem as rituais ínfulas, tão pouco
insensatas grinaldas (pr fim
não se trata, suponho, de imolar
uma porca prenhe
à pródiga Ceres) mas algo
(imagina um instante que agora mesmo
empreendes, sei lá, uma longa viagem
às míticas fontes
do sonolento Nilo
com o teu amor impossível,
romântico e secreto) mas algo, dizia,
muito parecido em tudo
a uma emoção inquieta e - por que não? por que não,
vejamos, por quê- umas gotas
de sorridente trapaça beatífica.


Nota do Autor: Não se inquiete o leitor: isto de "epílogo marcial" não implica nenhuma belicosidade; recorda simplesmente, que os primeiros versos, que estão em itálico, tirei-os de um brevíssimo texto de Marco Valerio Marcial, intitulado, claro, "Asturcón".

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

 J. V. CUNNINGHAM


Interview with Doctor Drink


I have a fifth of therapy
In the house, and transference there.
Doctor, there's not much wrong with me,
Only a sick rattlesnake somewhere

In the house, if it be there at all,
But the little mouth is coiled. The shapes
Of door and window move. I call.
What is it that pulls down the drapes,

Disheveled and exposed? Your rye
Twists in my throat; intimacy
Is like hard liquor. Who but I
Coil there and squat, and pay your fee?


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Entrevista com Doctor Drink


Tenho um quinto da terapêutica
Em casa e lá a transferência.
Doutor, não há muito mal em mim,
Apenas uma víbora doente algures

Na casa, se é que lá está,
Mas a boca ágil está enroscada. Os contornos
Da porta e da janela movem-se. Eu chamo.
Que é isso que fecha as cortinas,

Desgrenhado e exposto? O teu uísque
Enrola-se na garganta: a intimidade
É como bebida forte. Quem senão eu
Se enrosca ali e se agacha e paga os honorários?




quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

 DICK DAVIS

GOSSIP

imitated from Sa'id, Bustan Book 7, 3309--3356, Mid 13th century


Forget the rat-race, hide yourself away
From all the fashion-mongers do and say,
But no one, hermit, hoax or holy Asian,
Can hide from character assassination:
Look, you could be an angel from on high
Cavorting Superman-like in the sky
But still you'd see the slanderers have found
A way to bring you crashing to the ground.
You'll find it easier to keep the menace
Of Adriatic waves away from Venice
That tie the tattling tongue of someone who
Has homed in on his helpless victim - you!

You choose a life of books and quiet contentment.
Precisely that provokes the brat's resentment,
Whispering in huddles, taking turns to slam you -
Nerd, Prig, Hypocrite, Creep - your virtues damn you.
A social animal perpetually,
They say his strange desire for solitude
Is sanctimonious or downright rude;
If someone likes a laugh and noisy fun
They say he sleeps around with everyone.
If someone's rich they're quick on the attack
Nailing him as an egomaniac.
But if he's poor then is a sap, a loser,
An irresponsible pan-handling boozer -
On hand to comment on a big-shot's fall
(It shows them there's still justice after all -
"He and his arrogance had it coming,
So let's see how the bastard likes real slumming")
And ready to assault like snarling bitches
Any poor wretch who rises up to riches
("That punks like him succeed is proof that slime 
Is all that rises in this rotten time").
If you´ve a business and it's doing well
Then you're a grasping plutocrat from hell,
But if they see you unemployed they sneer
That cadging meals and money's your "career".
You like to talk, you're always on the go,
"Sure, empty vessels make most noise, you know', 
The quiet type's a frigging bathroom tile,
What´s with that condescending silent smile?"
If Turn-the-Other-Cheek's your line they say
"That wimp has got no balls! Him, fight? No way!"
If you're aggressive, though, how they complain -
"I'm out of here, I'm gone, the guy's insane!"
If someone's on a slimmer's scanty diet
The gossip's wagging tongues are never quiet,
But if you like your food, why then of course
You stuff your belly like a hungry horse.
A rich man that lives reasonably they call
A skinflint with no common sense at all,
But if he builds him a fancy palace
And lives like someone on the set of Dallas,
Then he's a tasteless drag-queen or a fool
Who doesn't know that rich kitsch isn't cool.
Someone's a modest stay-at-home, so those
Who change planes oftener than their underclothes
Will say, "What´s he experienced from life,
Tied to the apron of his dumpy wife?"
But if you've seen the world a bit, beware!
A man who's ever travelled anywhere
Is just a drifter who can't settle down,
Meandering pointlessly from town to town.
A bachelor's loner' - when he wakes
At night the lonely bed-frame quakes and shakes,
But married, no one comes to the defence:
His hormones got the better of his sense -
Hot-rodding down the road, he never learned,   
And now his Porsche has crashed and overturned.'
An ugly face gets cruelly criticized,
But beauty's just openly despised
Since envy's first priority's to find
Ways for what's lovely to be undermined.
Once I'd a room-mate who was rather shy,
He seldom smiled or looked you in the eye;
A visitor took me aside and said
"That friend you've got there might be as well as dead,
Teach him some manners!" So next day I tried
To put the matter to him as described.
He didn't like it and the argument
Soon threatened to get fairly virulent.
Just then our carping visitor came back; one of 
Immediately he went on the attack
At me! 'Hey, pick on someone your own size,
You've hurt his feelings, now apologize!'
If anger makes you lose your self-possession
You're crazy, in the grip of some obsession',
But if you're patient with all comers, then
You're one of those 'soft, wimpy, woos-y men.
To generous folk they say, 'Hold back, enough,
Tomorrow you'll be begging for the stuff',
To careful spenders though they're sure to say
'What are you saving up for? Judgement Day?'
Enough, though, really! Who alive can live
Uncriticized ? To be too sensitive
Is self-defeating - as we know, the best
Get even more lambasted than the rest;
The wisest course then's probably to sit
Tight, keep your head down, and put up with it.  


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COSCUVILHICE
imitado de Sa'di, Bustan Book 7, 3309-3356, Meados do século XIII

Esquece a corrida de ratos, esconde-te longe
De tudo o que traficantes de modas fazem ou dizem,
Mas ninguém, eremita, embuste ou asiático sagrado,
Pode esconder-se do assassinato de carácter:
Repara, podias ser um anjo das alturas
Pulando como o Super-Homem no céu,
Mas ainda assim verias que os caluniadores encontrariam
Uma forma de te depenhar na terra.
Descobririas ser mais fácil manter a ameaça
Das ondas do Adriático afastadas de Veneza
Que cortar a tagarelice de alguém 
Determinado contra a sua vítima indefesa - tu!

Escolhes uma vida de livros e satisfação discreta,
Precisamente isso provoca o ressentimento de fedelhos,
Murmurando em turbas, alternando os vitupérios,
- Fanático, Pedante, Hipócrita, Serpente . as tuas virtudes danam-te.
Se alguém é tímido e lhe é difícil ser
Um animal social perpétuo,
Dizem que o seu desejo bizarro de solidão
É santimonial ou totalmente rude;
Se alguém aprecia o riso e o divertimento ruidoso
Dizem que dorme por aí com todos.
Se alguém é rico são rápidos no ataque,
Afundando-o como um egomaníaco,
Mas se é pobre, então é um trouxa, um perdedor,
Um bêbedo irresponsável e pedinchão -
À mão para comentar a queda de um figurão
(Para atentarem que, afinal, há justiça -
'Ele e a sua arrogância não mereciam outra coisa,
Vejamos como o patife aprecia a sarjeta a sério')
E prontos a assaltar como cães que rosnam
Qualquer pobre diabo que consiga enriquecer
(Que sacanas como ele tenham sucesso é prova que a trampa
É tudo o que prospera nestes tempos podres').
Se tens um negócio e nele sucesso
Então és um plutocrata ganancioso do diabo,
Mas se te vêem desempregado escarnecem:
A tua carreira é cravar refeições e dinheiro.
Se gostas de falar, estás sempre na onda,
'É sabido que vasos vazios fazem o maior barulho ',
O tipo calado é 'o estupor de um ladrilho de casa de banho,
Quem lhe encomendou esse condescendente sorriso silencioso?'
Se a tua conduta é Dar-A-Outra-Face dizem
'Esse cobarde não tem tomates. Lutar, ele? De forma alguma!'
Se és agressivo, contudo, como se queixam -
'Vou-me mbora, saio, o tipo é louco!'
Se alguém está em dieta parca para emagrecer
As línguas agitadas dos coscuvilheiros nunca param,
Mas se alguém gosta de comida, então, claro,
Enche a pança como cavalo esfomeado.
A um homem rico que vive frugalmente chamam
Um sovina sem qualquer senso comum,
Mas se constrói, por capricho, um palácio
E vive como alguém do elenco de Dallas,
Então é um tonto ou uma drag-queen
Que não sabe que o kitsch dos ricos não tem gosto.
Alguém é modestamente caseiro, então os
Que mudam de avião mais frequentemente que de roupa interior
Dirão: 'Que experiêcia tem ele da vida,
Agarrado ao avental de mulher rabugenta?'
Mas se alguém viu um pouco do mkundo, cuidado!,
Um homem que viajou por todo o lado 
É apenas um vadio que nunca assentou,
Vagueando sem propósito, de cidade em cidade.
Um solteiro é um solitário - quando acorda 
À noite a solitária cama estremece e abana,
Mas casado, ninguém se chega a defendê-lo:
As hormonas tiraram-lhe o juízo -
De topo de gama pela estrada fora nunca aprendeu
E agora o seu Porsche bateu e capotou.
Uma cara feia é cruelmente criticada,
Mas a beleza é igualmente desprezada,
Pois que a primeira prioridade da inveja é encontrar
Formas de sabotar o que é belo.
Tive um companheiro de quarto bastante tímido,
Quase não sorria, nem te olhava nos olhos;
Um visitante chamou-me de lado e disse:
'Esse teu amigo bem podia estar morto,
Exige-lhe maneiras!' Assim, no dia seguinte, tentei
Apresentar-lhe o assunto como descrito,
Ele não gostou e a discussão
Em breve ameaçou tornar.se bem virulenta.
Nesse momento o nosso visitante censurador voltou;
De imediato, lançou-se numa diatribe
Contra mim: 'Ei,escolhe alguém do teu tamanho,
Feriste.lhe os sentimentos, pede desculpa!'
Se a ira te faz perder o auto-controle
Estás louco, nas garras de alguma obsessão',
Mas se fores paciente com todas as visitas, então
És um desses tipos fracos,, cobardolas, baralhados.
Às pessoas generosas dizem, 'Contem-te, basta,
Amanhá estarás a pedir a massa
A gastadores cuidadosos que, por certo, dirão
'Para que poupas? Para o Dia do Juízo?'
Caramba, já chega! Quem pode viver 
Sem ser criticado? Ser demasiado sensível
É deitar-se a perder - como é sabido, os melhores
Ainda são mais descompostos que o resto;
O caminho mais sábio é, então, provavelmente permanecer
Firme, manter a cabeça baixa e aguentar.







  FRANK O'HARA PISTACHIO TREE AT CHATEAU NOIR Beaucoup de musique classique et moderne Guillaume and not as one may imagine it sounds no...