segunda-feira, 8 de agosto de 2022

SZILÁRD BORBÉLY 

AETERNITAS
(I)

O Eterno é
frio, como o cinzel
usado para esculpir
a face do nosso Jesus.

O Eterno está submerso,
como o seixo,
quando se contempla o rio e se vê
a água novamente tranquila.

O Eterno evade-se,
como a mosca 
que se tenta agarrar em vão -
o inferno já.

O Eterno é profundo,
como essa atenção
na qual reside
a misericórdia do nosso Cristo.

O Eterno prossegue,
como o relógio,
embora talvez falhe
- por vezes . a madrugada.

O Eterno é aguçado
como a lâmina da faca
que a Morte enterra
no teu coração.

O Eterno é,
como a própria vida, efémero.
Chega ao fim
enquanto se fala.

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