quinta-feira, 8 de julho de 2021

 MIGUEL D'ORS


EL"PUNTO C"

Es un punto del tiempo, y también un estado
de la materia, y de ánimo. Santo Tomás de Aquino
acaso explicaríaque es un inexplicable
vacío que se abre tanquam abyssus entre
el acto y las potencias,
o entre la realidad y las ideas.

Para no enmarañarmonos en tanto latinorum,
es esa misteriosa frontera que separa
cada multicolor, sinfónica, etcétera bandada
de sueños que se vuela por la imacinación

y el pobre pajarito
-qué gris, qué poca cosa, y a ver si hasta tiñoso-
que un instante después late en tu mano
y no sabes qué hacer con él, por mucho
que el refranero diga
que vale más que aquel ciento de "puede ser".

Y para que lo entiendan
también los capricornianos (de
aquí viene la "C"), unos ejemplos: es
el átomo de tiempo en que ya hemos abierto
la caja del regalo pero aún
no nos ha defraudado; el de la conversión
de aquel maravilloso objeto X
que ayer nos deslumbraba desde el escaparate
en este objeto X que ahora nos pertence
y no es maravilloso ni deslumbra ni nada,
y a fin de cuentas ni es el mismo objeto;
es -no puedo decírselo mejor-
ese estrangulamiento del reloj
por donde la arenilla de los sueños del viernes
va cayendo a la noche tediosa de domingo.

                                                        Poyo, 26-V-2009


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O "PONTO C"

É um ponto do tempo e também um estado
da matéria e do ânimo. São Tomás de Aquino
acaso explicaria que é um inexplicável
vazio que se abre tanqum abyssus entre
o acto e as potências,
ou entre a realidade e as ideias.

Para não nos emaranharmos em tal latinório,
é essa misteriosa fronteira que separa
cada multicor, sinfónica, banda
de sonhos que te voa pela imaginação

e o pobre passarito
-que cinzento, que pouca coisa, se calhar até tinhoso-
que um instante depois lateja na tua mão
e não sabes que fazer com ele, por mito
que o adagiário diga
que vale mais que aquela centena "a voar".

E para que o entendam
também os não capricórnios (daqui
vem a "C") uns exemplos: é
o átomo de tempo em que abrimos
a caixa do presente, mas ainda
não nos defraudou; o da conversão
daquele maravilhoso objecto X
que ontem nos deslumbrava no escaparate
neste objecto  X que agora nos pertence
e não é maravilhoso, nem deslumbra, nem nada,
e no final de contas nem o mesmo objecto
é -não posso dizê-lo melhor-
esse estrangulamento do relógio
por onde a areia dos sonhos de sexta-feira
vai caindo na noite entediante de domingo.

                                                           Poyo, 26.V-2009

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